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Isolamento fez crescer vendas de materiais de construção

Em algumas empresas, alta da demanda chegou a 50% na pandemia

Belo Horizonte – Isolada em casa meses a fio, a pensionista Mira Mendes decidiu que era hora de fazer aquela pequena reforma no imóvel, algo que adiava havia tempos. Na mesma época, o computador da arquiteta Carol Coutinho começou a ficar repleto de croquis, devido ao aumento de encomendas de projetos para reformas como a que Mira começou. Enquanto isso, as máquinas da indústria de vidro do empresário Ivo de Tassis Filho tiveram que ter sua capacidade aumentada, já que os pedidos não param de chegar – o aumento foi de 50% na pandemia.

Os exemplos de Mira, Carol e Ivo ilustram uma performance de reaquecimento das vendas na área de construção civil que havia tempos não se via. Mesmo momentâneo, fato é que o mercado está efervescente. A pandemia foi um dos motivos para esse movimento de retomada econômica. Cumprindo o isolamento social em casa, muitas pessoas acabaram investindo tempo e energia em pequenas reformas, pinturas e adaptações.

Com a nova dinâmica de mais gente nas residências, alguns espaços precisaram ser ampliados ou melhorados, caso da sala de estar. As pessoas começaram a cozinhar mais, então aprimorar as instalações da cozinha tem sido outro desejo comum. Criar um cômodo para funcionar como escritório, o famigerado home office, também é um interesse frequente, conforme explica Flávio Alves Gomes, presidente da Associação do Comércio de Materiais de Construção de Minas Gerais (Acomac). “Durante a pandemia, a casa ficou pequena, e as pessoas começaram a entender a importância do lar e se preocuparam um pouco mais com a estrutura da casa”, diz. “Elas perceberam que havia lugares quentes ou com pouca ventilação, fizeram cobertura em telhados, mudaram a pia da cozinha ou a torneira do banheiro”, completa.

Exatamente esses pequenos reparos têm chegado ao escritório das sócias Carol Coutinho e Sônia Simão, da Cosi Arquitetura. Reformas em sala de estar e instalação de cobertura em áreas externas têm sido a maior demanda para a dupla de arquitetas, além da criação de espaços de trabalho em casa. “As pessoas estão querendo retomar projetos antigos que ressurgiram por causa de passarmais tempo em casa. Elas perceberam o valor da área externa como válvula de escape”, avalia Carol. Para Sônia, os clientes têm comentado a necessidade de tornar o ambiente residencial mais acolhedor. “Antes as pessoas falavam que só iam em casa para dormir, mas agora a coisa mudou de figura”, diz.

O que acontece no escritório delas é reflexo do efeito em cadeia, conforme pesquisa de percepção feita pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). No levantamento realizado em agosto, 46% dos empresários do ramo consultados disseram que estão com perspectivas positivas para o próximo trimestre, o que confirma a perspectiva de alta. Alguns segmentos apontam otimismo ainda maior: 73% dos varejistas de revestimento cerâmico disseram que as vendas cresceram nos últimos três meses, enquanto 58% das lojas de material hidráulico relataram o mesmo.

A redução de gastos com compras em shoppings e transporte foi outro combustível para esse aumento de demanda. Foi o que motivou a pensionista Mira Mendes a contratar uma reforma em sua sala e investir na troca das portas de madeira. “Essa pandemia me deixou muito angustiada e triste, eu fiquei muito mal. A única coisa que eu vi que ia me satisfazer era uma reforma na minha sala”, diz.

No caso da pensionista, a verba para a pequena reforma surgiu da economia com Uber e idas a bares. “Agora já quero mexer na cozinha, pois não sabemos até quando vai isso (o isolamento)”, prevê.

A mesma tendência de aumento está impactando o ramo imobiliário, conforme pesquisa divulgada neste mês pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). As vendas de novos apartamentos em agosto cresceram 122,60% se comparadas ao mesmo mês do ano passado. O crescimento da demanda registrado somente em gosto deste ano foi de 25,5% em relação ao mês anterior.  Os dados se referem às cidades de Belo Horizonte e Nova Lima.

Enquanto as pessoas decidem mudar a cor de uma parede ou trocar aquela janela, o cofre da indústria agradece. Na fábrica do empresário Ivo de Tassis Filho, a produção teve que ser acelerada para dar conta da demanda, que aumentou 50% na pandemia. “Estamos construindo pra caramba, tem sido uma arrancada muito grande”, comemora. Diretor da Temperaço, empresa em Governador Valadares que atua no ramo de vidros temperados, Ivo relata os efeitos colaterais já sentidos devido à elevação de demanda. “Não se acha mais pedreiro, e a mão de obra está ficando muito cara”, diz. Além disso, encontrar alguns insumos tem sido missão difícil, especialmente nos casos de isopor, telas de aço, plástico, cimento e vidro.

Com a demanda em alta, o segmento de material de construção tem sofrido uma elevação de preços, que tem chamado a atenção em alguns casos. Na lógica da lei da demanda e da oferta, alguns valores estão nas alturas. “O saco de cimento foi de R$ 20 para R$ 32, até mais que isso”, compara Ivo.

Quem também percebeu a tendência foi a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que entregou ao governo federal, no mês passado, um documento que reúne evidências sobre abusos na definição de preços de materiais de construção durante a pandemia. De acordo com a entidade, o cenário de aumento dos valores e desabastecimento pode causar desemprego e elevação do custo das obras públicas no futuro breve.

fonte: O Tempo (BH)

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